Vamos refletir sobre a necessidade urgente de resgatar práticas espirituais essenciais que foram gradualmente deixadas de lado. São 10 práticas esquecidas pela igreja e que deveriam ser retomadas.
As igrejas contemporâneas têm se distanciado de algumas práticas fundamentais que, ao longo da história, sempre foram vitais para a saúde espiritual das comunidades cristãs.
Em um contexto em que muitas congregações buscam cada vez mais soluções superficiais, como entretenimento e eventos espetaculares, é crucial refletir sobre o que realmente mantém o fogo do Espírito Santo aceso e promove um relacionamento profundo com Deus.
Neste post, exploraremos cada uma dessas práticas esquecidas e como podemos retomar o compromisso com a verdadeira essência do Evangelho. Vamos discutir a importância de um ensino bíblico profundo, a necessidade de uma adoração comunitária genuína, o papel de pastores como líderes próximos ao seu rebanho, e muito mais.
Além disso, apresentaremos sugestões práticas para implementar essas mudanças em sua igreja, com o objetivo de fortalecer a fé da comunidade e promover uma vivência mais autêntica de Cristo.
- 1. A Prática Esquecida do Ensino Bíblico Aprofundado
- 2. A Prática Esquecida da Adoração Comunitária
- 3. A Prática Esquecida de Pastores Próximos ao Seu Povo
- 4. A Prática Esquecida de Permitir a Liberdade de Deus na Igreja
- 5. A Prática Esquecida do Discipulado
- 6. A Prática Esquecida da Plantação de Novas Igrejas
- 7. A Prática Esquecida da Ceia como um Ato Comunitário
- 8. A Prática Esquecida da Integração nas Igrejas
- 9. A Prática Esquecida do Jejum e Vigília
- O Desafio Final: Construir Igrejas Saudáveis
1. A Prática Esquecida do Ensino Bíblico Aprofundado
Nos últimos anos, muitas igrejas têm se distanciado de pregações profundas e verdadeiramente transformadoras, substituindo-as por mensagens motivacionais que muitas vezes não refletem o poder do Evangelho. O ensino superficial tem prejudicado a edificação espiritual dos membros, levando-os a um cristianismo mais voltado para o “bem-estar” do que para a transformação do coração.
Práticas para Retomar o Ensino Bíblico Profundo:
- Investir na formação de líderes: É essencial que os pastores e professores se preparem adequadamente para ensinar a Palavra de Deus com profundidade, entendendo seu contexto histórico, cultural e teológico.
- Estudo coletivo da Bíblia: Incentivar a prática de estudos bíblicos regulares, como grupos de estudo ou Escola Bíblica Dominical, que promovam a compreensão profunda das escrituras.
- Pregações baseadas na Palavra: Priorizar sermões que abordem a Bíblia de forma fiel, aplicando suas lições à vida cotidiana e desafiando a congregação a viver de acordo com os princípios de Cristo.
2. A Prática Esquecida da Adoração Comunitária
Outro ponto é a falta de uma adoração comunitária genuína, onde os membros da igreja se conectam não apenas com Deus, mas uns com os outros. A música, que deveria ser um veículo para expressar nossa fé coletivamente, tem se tornado cada vez mais individualista. Muitas igrejas têm se concentrado em um tipo de adoração “vertical” (focada no indivíduo) e negligenciado o aspecto “horizontal” (voltado para a comunidade).
Práticas para Retomar a Adoração Comunitária:
- Canções que promovam a unidade: Incentivar a escolha de músicas que falem sobre o corpo de Cristo, a missão da igreja e o amor ao próximo. O foco deve ser em canções que fortaleçam os laços dentro da congregação.
- Adoração em grupos pequenos: Organizar momentos de louvor em pequenos grupos, onde a comunidade se une para orar e adorar juntos, promovendo um senso mais profundo de união.
- Celebrar juntos as vitórias e desafios: Criar oportunidades para a igreja compartilhar suas alegrias e tristezas, fortalecendo a relação mútua entre os membros.
3. A Prática Esquecida de Pastores Próximos ao Seu Povo
A figura do pastor, segundo as Escrituras, não é a de um líder distante, mas de alguém que se envolve pessoalmente com seu rebanho, cuidando das ovelhas com zelo e dedicação. No entanto, muitos pastores têm se afastado da congregação, limitando-se a pregar e sair, sem estabelecer vínculos reais com as pessoas. Essa cultura pastoral atual está prejudicando a saúde das igrejas, que precisam de líderes presentes e acessíveis.
Práticas para Retomar o Pastoreio Pessoal:
- Visitas domiciliares: Os pastores devem se dedicar a visitar as casas dos membros, compartilhando momentos de oração, aconselhamento e comunhão.
- Abertura ao diálogo: Criar canais de comunicação em que os membros possam se sentir à vontade para compartilhar suas preocupações com seus líderes.
- Acompanhamento individualizado: Oferecer programas de acompanhamento para aqueles que precisam de apoio emocional, espiritual ou prático, seja por meio de aconselhamento ou discipulado pessoal.
4. A Prática Esquecida de Permitir a Liberdade de Deus na Igreja
A igreja moderna tem se tornado cada vez mais estruturada e rígida, muitas vezes limitando a liberdade do Espírito Santo para se mover de maneira espontânea. A instituição, em vez de servir como um veículo para os dons do Espírito, acaba sendo um obstáculo para a sua manifestação. É preciso resgatar a flexibilidade, permitindo que os irmãos e irmãs encontrem espaço para servir de acordo com seus talentos e vocações, em liberdade espiritual e motivados por um desejo genuíno de agradar a Deus.
Práticas para Permitir a Liberdade do Espírito:
- Espaço para a manifestação pessoal dos dons: Criar momentos na vida da igreja onde os membros possam ser incentivados a servir conforme seus dons e talentos, não por obrigação ou necessidade institucional, mas movidos por um desejo genuíno de contribuir para o Reino de Deus.
- Evitar rigidez nas funções ministeriais: Em vez de moldar as pessoas para cumprir tarefas preestabelecidas, ofereça flexibilidade para que os dons de cada um se desenvolvam de forma natural, permitindo que todos se envolvam de maneira pessoal e relevante nos ministérios da igreja.
- Encorajamento ao discernimento e à sensibilidade espiritual: Ensinar a congregação a discernir a vontade de Deus e a estar atenta ao Espírito Santo, com liberdade para responder aos seus impulsos e servir com autenticidade e dedicação, sem a pressão de atender a uma necessidade institucional.
5. A Prática Esquecida do Discipulado
O discipulado genuíno é essencial para a edificação da igreja, mas muitos membros de igrejas atuais não têm sido discipulados de maneira eficaz. Muitas igrejas se tornaram “clubes”, onde as pessoas se encontram para socializar, mas sem um verdadeiro compromisso de crescer na fé. O discipulado é o caminho para a transformação pessoal e comunitária.
Práticas para Retomar o Discipulado:
- Grupos pequenos de discipulado: Incentivar a formação de pequenos grupos de discipulado, onde os membros possam ser mentorados e desafiados em sua caminhada cristã.
- Acompanhamento contínuo: Estabelecer um sistema de acompanhamento que ajude os novos convertidos a se firmarem na fé, oferecendo recursos e orientação espiritual.
- Promoção de um ambiente vulnerável: Criar uma cultura onde os membros se sintam à vontade para compartilhar suas lutas, falhas e vitórias, ajudando uns aos outros a crescer espiritualmente.
6. A Prática Esquecida da Plantação de Novas Igrejas
Uma prática vital que tem sido negligenciada é a plantação de novas igrejas. Se olharmos para o cenário global, especialmente na Europa e nos Estados Unidos, vemos um declínio significativo no número de novas igrejas sendo abertas, e isso está começando a afetar também a América Latina. Estamos parando de sonhar com o sonho evangelístico de expandir o Reino de Deus. Infelizmente, muitas igrejas têm se concentrado apenas em manter seus grupos internos e não mais em alcançar novos territórios.
A multiplicação de igrejas deveria ser movida por um coração missionário, uma vontade de avançar na obra de Deus, mas, muitas vezes, vemos o contrário. Igrejas se dividem por desentendimentos e diferenças teológicas, em vez de buscar um novo impulso de crescimento saudável. A plantação de igrejas precisa ser mais do que uma reação a conflitos; precisa ser uma ação intencional para expandir o Reino de Deus.
Práticas para a Plantação de Igrejas:
- Envolvimento da comunidade local: Antes de iniciar uma nova igreja, invista tempo em conhecer a comunidade onde se deseja plantar. Compreenda suas necessidades, seus anseios e os desafios que enfrentam. Isso garantirá que a igreja nasça com um propósito claro, alinhado ao que Deus está fazendo naquela localidade.
- Treinamento e capacitação de líderes locais: Para uma plantação de igreja ser bem-sucedida, é essencial capacitar líderes locais que compreendam a visão e possam ser instrumentos de crescimento e transformação. Invista no desenvolvimento de discipuladores e líderes que compartilhem do coração missionário.
- Foco na expansão e não na manutenção: Em vez de se preocupar apenas com o número de membros, tenha em mente o crescimento espiritual e numérico da igreja. A visão deve ser focada na multiplicação, não apenas na manutenção de um templo ou grupo pequeno, mas sim em expandir o alcance do Evangelho.
7. A Prática Esquecida da Ceia como um Ato Comunitário
Outra prática que tem se perdido é a maneira como celebramos a Ceia do Senhor. Muitas igrejas substituíram a refeição compartilhada por um ritual simplificado, muitas vezes servido em pequenos copos e pedaços de pão. Mas na Bíblia, a Ceia era uma refeição comunitária, onde os irmãos e irmãs se reuniam, compartilhando a vida uns com os outros enquanto partilhavam o pão.
Em tempos passados, esse momento de comunhão era central na adoração, e fazia parte de uma vida cristã mais orgânica e vivencial. Não estou dizendo que o uso de copinhos individuais está errado, mas a essência da Ceia precisa voltar a ser mais comunitária, mais representativa da unidade do Corpo de Cristo.
O que falta é a Ceia como um momento de fraternidade genuína, não apenas um rito individualista. Isso é algo que podemos recuperar, especialmente nos grupos menores e nas células, onde a celebração pode ser mais significativa e profunda.
Práticas para Recuperar a Essência Comunitária da Ceia:
- Envolvimento de todos os membros: Ao invés de tornar a Ceia um rito isolado, incentive as famílias e membros da igreja a participarem juntos, com momentos de partilha e reflexão antes da refeição, promovendo um espaço de unidade e amizade.
- Células e pequenos grupos: Realizar a Ceia nos pequenos grupos ou células da igreja pode tornar a experiência mais profunda e comunitária, pois permite que os membros compartilhem suas histórias, orações e vivências antes de participar do momento de comunhão.
- Celebração com significado: Reforce o significado da Ceia durante o culto, lembrando que não se trata de um rito, mas de um ato de lembrança e ação de graças pela obra redentora de Cristo, enfatizando a importância da união do Corpo de Cristo.
8. A Prática Esquecida da Integração nas Igrejas
Vivemos um momento em que a segregação dentro das igrejas tem se intensificado. Temos o grupo das crianças, dos adolescentes, dos jovens profissionais, dos casados, dos idosos… E a lista vai se expandindo. Embora compreenda que diferentes fases da vida exigem cuidados específicos, essa divisão excessiva não é saudável para o corpo de Cristo.
A igreja deve funcionar como um corpo unido, onde todas as gerações e diferentes realidades convivem e aprendem umas com as outras. A verdadeira transformação ocorre quando o jovem aprende com a experiência do mais velho, e o mais velho se inspira na energia do mais jovem.
O desafio é criar ambientes onde os diferentes grupos possam se integrar, trabalhando juntos e servindo uns aos outros. Isso é um dos maiores tesouros de uma igreja saudável: a troca de experiências e o crescimento mútuo. Não podemos permitir que a igreja se torne um aglomerado de panelinhas que não se conversam. Precisamos cultivar a unidade em diversidade.
Práticas para Combater a Segregação na Igreja:
- Atividades intergeracionais: Promova eventos e atividades que envolvam todas as faixas etárias, como almoços, encontros de oração, ou projetos de serviço comunitário, onde os diferentes grupos podem interagir, aprender uns com os outros e construir laços.
- Mentoria e discipulado: Incentive programas de mentoria entre diferentes gerações, onde os mais velhos possam compartilhar sua sabedoria e os mais jovens possam inspirar os mais velhos com seu entusiasmo e energia.
- Encontros de adoração mistos: Em vez de realizar cultos separados para diferentes grupos, incentive momentos de adoração onde todos participam juntos, refletindo a unidade do Corpo de Cristo e proporcionando um ambiente onde todos possam se edificar mutuamente.
9. A Prática Esquecida do Jejum e Vigília
Por último, mas não menos importante, há duas práticas essenciais que se perderam em muitas igrejas: o jejum e as vigílias. Embora o jejum tenha sido uma prática comum na Igreja Primitiva, muitos cristãos hoje em dia têm negligenciado essa disciplina.
O jejum não pode ser restrito a um pequeno grupo de pessoas, mas deve ser uma prática comum entre os cristãos. O jejum é uma maneira de nos humilharmos diante de Deus e de buscarmos a Sua direção em nossa vida.
Além disso, as vigílias — esses momentos de oração intensa e intercessão — também são cada vez mais raros. No entanto, quando a igreja se reúne para jejuar e orar, ela se fortalece espiritualmente. Isso não é apenas um esforço individual, mas uma batalha coletiva pela igreja e pelo mundo. Não podemos nos permitir perder a prática de orar juntos e jejuar juntos como um corpo unido.
Práticas para Implementar o Jejum e a Vigília:
- Estabeleça períodos de jejum coletivo: Crie momentos específicos durante o ano, como jejum mensal ou durante uma semana de oração, onde toda a igreja se engaja coletivamente. Durante esses períodos, ofereça orientações sobre o jejum, não apenas como uma disciplina pessoal, mas como um esforço de intercessão pelo fortalecimento da igreja e pela evangelização.
- Organize vigílias regulares: Planeje vigílias de oração em grupo, sejam mensais ou trimestrais, para que a igreja possa se reunir para orar fervorosamente por avivamento, orientação espiritual e por necessidades específicas da comunidade e do mundo. Essas vigílias devem incluir oração, louvor e momentos de intercessão intensa.
- Ensine sobre a importância do jejum e da oração: Muitas vezes, o jejum e a oração coletiva são negligenciados por falta de compreensão. Ofereça seminários, estudos bíblicos ou mensagens que expliquem a importância dessas práticas para o fortalecimento espiritual da igreja, incentivando todos a participarem.
O Desafio Final: Construir Igrejas Saudáveis
Essas 10 práticas que compartilhei são desafios para todos nós, como igreja e como líderes. Eu não estou dizendo que nossa igreja é perfeita em tudo isso. Estamos, assim como todos, em um processo de crescimento. Mas acredito profundamente que, se todos nós, como igreja, começarmos a voltar a essas práticas fundamentais vamos construir uma igreja mais saudável, que cumprirá sua missão de ser sal e luz em um mundo em necessidade.
Eu encorajo você a refletir sobre essas práticas e a buscar maneiras de implementá-las em sua própria vida e na sua comunidade. A jornada da igreja saudável começa com cada um de nós, em nossas escolhas e em nosso compromisso com o Reino de Deus.